Transformações organizacionais, mudanças
culturais, novos modelos empresariais e de gestão, novo perfil de negócio,
reposicionamento mercadológico, emprego de tecnologia mais avançada, novos processos
de trabalho... É infindável a lista de temas que caberiam sob este rótulo. Como
é infindável a quantidade de vezes em que assuntos dessa natureza são mal
conduzidos nas organizações.
O resultado? Custos financeiros, desgaste na
imagem institucional e no ambiente interno, perdas de recursos de toda natureza
ou, na melhor das hipóteses, uma sucessão de retrabalhos e perda de tempo, não
sem algum custo financeiro, na imagem, etc. E o ciclo vicioso permanentemente
alimentado. Tudo porque o processo como a informação é trabalhada,
formulada e divulgada em tais circunstâncias é tratado com negligência ou
desconsiderado pelos responsáveis pelas transformações.
A experiência de empresas e consultorias
internacionais e registro de trabalhos divulgados em importantes publicações sobre gestão
nos dão margem a dizer que um tratamento simples e direto pode ser aplicado a momentos
de transformações como os citados no início desta postagem, com enormes
possibilidades de êxito.
Nos casos em que encontramos ou somos
convidados a resolver problemas, a comunicação de transformações institucionais
(mesmo as grandes) geralmente segue um formato padrão, no qual o contato impessoal
– por intermédio de vídeos, publicações, redes de intranet, ou grandes reuniões
– costuma ser privilegiada. Existe aí uma grande vantagem, que é o alcance de
grande parte, ou da quase totalidade, do público interno. Mas existe também uma
grande desvantagem: os supervisores da linha de frente ficam em pé de igualdade
com os demais colaboradores quanto às novas informações recebidas. Além disso,
como a comunicação nessas circunstâncias é genérica, pouco existe de fatos e exemplos
específicos divulgados nessas mídias que facilite a identificação de situações
pontuais e forneça as respectivas respostas.
A experiência tem mostrado que uma
comunicação objetiva, interativa e pessoal com os supervisores da linha de
frente parece ser a forma mais eficaz de realizar transformações institucionais.
Na verdade, o mais importante em um processo de transformação não é a emissão
de comunicados formais, mas sim o diálogo que irá ocorrer a partir deles. E
onde se encontra o diálogo mais decisivo para que se faça acontecer a
transformação? Entre supervisores de linha e suas equipes, certamente.
É por esta razão, que os supervisores de
linha devem ser objeto de atenção específica das lideranças, no processo de
comunicação que precede às transformações. E essa comunicação precisa ser feita
face a face; os vídeos e as teleconferências não cumprem sozinhos este papel.
Muito pelo contrário, após as informações impessoais serem transmitidas entrará
no ar a “rádio corredor”, “rádio tamanco”, “rádio peão”, etc. - dependendo da
organização; fofocas e rumores são disseminados rapidamente e, o que é pior, divulgando,
em geral, conteúdo negativo, pessimista e produzindo insegurança e estresse
geral.
Se o canal da comunicação pessoal, boca a
boca, é tão rápido, no caso do meio informal, por que não utilizar a mesma via
para chegar aos supervisores de linha e daí às suas equipes? Com um roteiro
claro, com fatos, possibilidade de discussão para alguns pontos e abertura para
ouvir observações, a qualidade da comunicação é garantida e os supervisores da
linha de frente - que são o público mais influente da organização para
operacionalizar transformações que afetam o comportamento e as atitudes das
equipes voltadas à produção e ao atendimento de clientes – sentem-se atendidos
em suas necessidades de obter informações e influenciar de alguma forma nas
transformações que estão por ocorrer.
O que fazer nesses encontros:
- Estabelecer, previamente, que ocorrerão duas rodadas de reuniões entre membros da alta direção e o grupo de supervisores.
- Deixar claro que existem pontos previamente definidos (os quais serão apenas comunicados e esclarecidos) e outros passíveis de alterações segundo propostas dos supervisores.
- Na primeira rodada explicar o que vai ser feito e porque vai ser feito; relatar para os supervisores as expectativas específicas quanto ao grupo; abre a possibilidade de receber, a partir de então, e por um prazo até a próxima reunião, recomendações (é o espaço de participação dos supervisores de linha de frente e suas equipes).
- Na segunda rodada relatar o status em que se encontram as proposições encaminhadas (incorporadas ou não, e porque); explicar o plano final, com as inclusões ou exclusões ocorridas; e informar quais os próximos passos quanto à efetivação das transformações em curso.
- A partir daí é designar quem e quando, ou seja, quem vai coordenar a transformação e qual o cronograma para que as ações definidas sejam cumpridas.
Alguém pode retrucar dizendo que
as reuniões e discussões vão trazer impacto no tempo de implementação das
transformações. Sim, pode dizer, afinal esse é um espaço livre. Mas só peço que esse
alguém não esqueça que: (1) o tempo a ser investido nessas atividades tem que
estar previsto no planejamento da mudança; (2) se quiser experimentar, faça uma
apuração dos atrasos e perdas ocorridas pela condução da forma usual, até que - e se – as transformações tenham
se tornado realidade. Compare e verá.
Tão simples quanto isso!
Uma boa semana a todos e um
Abraço.